Bem, uma vez que vim para a Austrália fazer um "medical elective" e que este blog pretende retratar o que por aqui faço, vou tecer algumas considerações sobre o que vi até agora!
Há bastantes diferenças entre o que fazemos em Portugal e o que eles por aqui fazem... Curiosamente essas diferenças não se reflectem em melhor tecnologia ou até acesso a mais e melhores meios de diagnóstico (que também o têm de vez em quando... um PET-scan está sempre acessível, por exemplo), mas na atitude e organização! O centro do NHS Australiano está claramente definido e é o doente!
Os doentes na Austrália esperam ter uma equipa de profissionais que sirva as suas necessidades, levando também a que a relação entre os profissionais de saúde e o doente seja muito diferente do que se passa em Portugal... cada vez que vejo um médico, seja ele Resident ou Consultant a interagir com o doente fico com a sensação que estamos numa estação de OSCES... :) É feita uma apresentação, confirma-se quem é o doente, lava-se as mãos, assegura-se que o doente está confortável e que a sua privacidade está assegurada, explica-se que procedimento se vai efectuar, pede-se o consentimento, determina-se o plano terapêutico em conjunto com o doente... terminando na inevitável questão se o doente tem alguma questão que queira ver esclarecida! O consentimento informado é efectuado com o consultant sentado ao lado do doente, explicando tudo e inclusive dando tempo ao doente para ele pensar se o doente assim desejar...
Neste aspecto, é um mundo à parte!!!
A outra coisa que faz com que o NHS australiano flua bem é a organização. Estive presente numa das mais bem organizadas reuniões (não de serviço mas de doentes) a que já assisti! A reunião foi liderada pela Directora do serviço de oncologia médica, mas teve a participação da imagiologia, da patologia, radioterapia, quimioterapia, cuidados paliativos... os doentes eram apresentados rápida e sistematicamente, cada qual apresentando o que o seu departamento sabia sobre o doente, eram discutidos e traçava-se um plano para os mesmos.
No que se refere aos alunos, estes têm sempre acompanhamento por um médico sénior com a categoria de RMO - Resident Medical Officer, ou seja, estão imediatamente após o consultant (que é o maior grau da carreira médica). Os alunos (e eu mesmo, apesar de não me conhecerem de lado algum) têm pleno acesso a todos os ficheiros dos doentes, em qualquer serviço, bastando para isso apresentarem-se e explicarem que vieram ver determinado doente pois isso foi requerido... simples! Escrever no ficheiro do doente também é descomplicado... após falarmos com o doente e o observarmos, escrevemos o que vimos! Essas impressões são depois apresentadas e discutidas com o médico responsável, e no final assinamos os dois e identificamo-nos... simples, outra vez!
Visitei a Flinders Medical School e aqui fica uma fotografia da biblioteca... A escola fica dentro do hospital, o que é capaz de dar um certo jeito!
Para finalizar, aqui está o cartão de acesso que me deram... Penso que para lhes facilitar a vida atribuíram me um número! Afinal "Daniel Augostó" deve ser difícil de pronunciar! :)
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